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A MULHER QUE ESCREVE


PÉS NO CHÃO E ACIMA DELE

Hoje tenho os pés firmes, plantados no chão. Eles se movimentam quase com total normalidade. Tirando um inchaço normal, pós cirúrgia, tirando um pequeno incômodo até que eu me acostume e me esqueça completamente da placa e dos sete parafusos, posso afirmar que meu tornozelo esquerdo está curado.

Pela manhã fui, literalmente, "caminhando e cantando", entregar as muletas alugadas. O local é perto de minha casa mas há dois meses esse pequeno percurso seria impossível para mim. Há um mês eu o teria feito de muletas, devagar, com muita dificuldade. Minha recuperação rápida, sem dor, é uma bênção. A queda trouxe para minha vida bem mais que uma fratura na tíbia esquerda. Eu fui obrigada a paralisar tudo, a rever conceitos, a relembrar lições esquecidas, a repensar e buscar soluções para agir de forma diferente.

Eu cai porque tive uma cãimbra. A explicação simplista se encaixa no mundo racional mas para o mundo das ideias, dos sonhos, da alma, há bem mais explicações. Eu cai porque era urgente parar. Parar tudo mesmo, e pensar. Tive dois meses para pensar e não foi nada fácil. Acordava chorando, ia tomar banho chorando (tinha que tomar banho sentada e me sentia humilhada) e chorei em muitos finais de tarde quando chegava o lusco fusco e a angústia me tomava. Quando parei de chorar busquei ajuda. Ouvi o que já sabia: eu tinha perdido a hora certa de mudar, estava atrasada em quesitos como perdão, insegurança, ciúme, exagero, falta de compreensão com o outro e comigo mesma. E daí, mesmo sentada ou me arrastando com a ajuda de um andador, e posteriormente com muletas, tive que "correr" para conseguir acompanhar a vida que veio arrasadora, impiedosa, cobrando o tempo perdido.

Era vital perdoar, esquecer, me desligar do passado, mudar padrões de vibração. Era vital agir diferente a cada minuto e saber que o mantra ideal seria: "só por hoje, paz e serenidade". Era vital abrir mão dos excessos, me afastar dos exageros, buscar sanidade, leveza. Precisei cair, ir ao fundo do fundo, para saber que poderia levitar, se conseguisse as transformações necessárias. E estou no processo. Em andamento. Em recuperação. Eu vou conseguir. Simplesmente porque amo a vida, porque sei que, apesar de todos os defeitos que preciso corrigir, não sou das piores pessoas e tenho meia dúzia de virtudes conquistadas. Vou conseguir porque sou teimosa, não desisto, tenho criatividade, posso reiventar tudo, aprender tudo, acordar diferente todo dia.

Estou andando. Falta pouco para voltar a correr. Mas andar já é uma bênção, uma dádiva. Peço licença para colocar aqui uma frase que li num blog que recomendo a todos os amigos (http://porquenaodancei.blogspot.com/). A frase é: "Quem nunca caiu não tem bem a noção do esforço que é preciso para se manter de pé". Hoje eu sei algo sobre esse esforço. E desejo manter a lição bem viva em mim. O que passei não se compara, não é absolutamente nada, diante da luta diária, de Márcia e Marcela Mazocchi, mostrada no blog "porque não dancei". Deixo aqui o convite para a leitura. Dizer que é uma lição de vida é pouco, muito pouco. O muito, de emoção, de vida, você só vai conhecer acompanhando "porque não dancei".   

 



Escrito por ANA CARDILHO às 11h47
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