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A MULHER QUE ESCREVE


PESO MAIS PESADO

Quinze dias após a cirurgia, quando ganhei uma placa de aço e mais sete parafusos acoplados ao meu tornozelo esquerdo, voltei ao ortopedista, dr Carlos Mendes. Entre todas as recomendações feitas, uma ficou ecoando na minha cabeça: "Não coloque peso sobre a perna esquerda". Disso para "não coloque peso onde não há capacidde para suportar peso ou não coloque peso onde não há necessidade disso ou, ainda, não coloque mais peso sobre seus próprios ombros ou sobre os ombros alheios e, finalmente, não coloque mais peso sobre a vida... foi um pulinho! E um pulinho com a perna direita.

Bastou eu estar na divina presença da curadora Otilha dos Santos, sob os efeitos do reike, para me dar conta de quanto peso andei carregando e distribuindo. Vai um pesinho aí? Não! Chega. Dos pesos agora só quero contato quando estiver liberada para voltar à academia do Círculo Militar e puder treinar força para, que todos os anjos digam AMÉM, voltar a correr o mais rápido possível (virou trocardilho...).

Acho que entendi a lição deste momento. Precisava cair, de madrugada, depois de cãimbras, e quebrar o tornozelo? Precisava. Pra entender justamente isto: melhor quebrar o tornozelo a quebrar a cara ou a alma com tantos pesos e mais pesos... Ai que dor nas costas! Para a fratura do tornozelo há conserto: placas e parafusos. Mas, para uma alma quebrada, xiiiiiii...

Então, estamos conversadas. Eu e a vida. Não carrego mais pesos que não são meus e nem inventarei pesos onde a vida quer plumas. Os pesos que me são devidos, por questões óbvias de manejo de andador ou de muletas, por enquanto vou pedir que carreguem por mim. E quando estiver com meus dois pés bem plantados no chão carregarei meus pesos no bolso, na bolsa ou em carrinho de mão. Mas é certo que muitos desses pesos estão sendo deixados pelo caminho. Se as pessoas se foram por que não os pesos de seus corpos, seus/meus erros?

E quem ficou que fique leve e me leve bem, na flauta... Porque sou um ser folgado que gosta da boa vida, que gosta de conforto para o corpo e para a alma. Sou um ser que acredita que todos viemos a esta vida para ser felizes, para darmos risada e para trabalharmos com alegria, com prazer, e vivermos bem, em paz.

É pedir muito? Que seja. Não dou desconto nem faço troco. Aceita balinha? Tem de hortelã, de mel e de canela. E pra encerrar: Rondó do Capitão, na voz de Secos & Molhados:

Bão balalão,
senhor capitão.
tirai este peso
do meu coração.
não é de tristeza,
não é de aflição:
é só esperança,
senhor capitão!
a leve esperança,
a área esperança...
área, pois não!
peso mais pesado
não existe não.
ah, livrai-me dele,
senhor capitão!


      

 



Escrito por ANA CARDILHO às 11h58
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