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A MULHER QUE ESCREVE


DESESPERADAMENTE COVARDE

Hoje estou pensando aqui com meus botões, cachorras e garrafinha de água sobre limites, sobre verdades, sobre os limites da verdade. Dizem que toda verdade tem dois ou mais lados. Dizem também que cada um tem suas verdades. Mas, há um senso comum de que há um mínimo de verdade que precisa ser encarada de frente para que as pessoas possam manter a civilidade. Por isso há leis e há jurisprudências, que modernizam as leis.

Então, me pergunto: qual é o limite de cada verdade? Uma pessoa pode alegar desespero para enxovalhar a moral de outra pessoa e depois querer se desculpar com o argumento de que estava "desesperado"? Mas não é justamente no momento de maior desespero que temos que ter o máximo de cuidado com nossas atitudes? Ou tudo vale quando nos sentimos acuados? Vale contar mentiras? Vale assinar falsos testemunhos? Vale destruir a verdade dos fatos para que a nova versão favoreça o culpado? Então, vamos soltar homicidas, ladrões e outros "desesperados"... Sim, porque na maioria das vezes o criminoso estava em desespero. Tirando os psicopatas, que agem friamente, as outras pessoas agem mal sempre à beira de um certo desespero. E por isso devem ser "desculpadas"?

Será que o desespero serve como desculpa? Alguém comete um roubo e vale alegar que estava financeiramente desesperado? Alguém comete um estupro e vale alegar que estava sexualmente desesperado? Alguém comete uma fraude e vale alegar que estava sendo pressionado pelo chefe? Alguém comete perjúrio e vale alegar que foi "obrigado" pelo advogado? E será que algum adulto, consciente de seus atos, pode mesmo alegar que foi "obrigado" a fazer alguma coisa? Ou o fez porque assim pensava e sentia e depois, quando a poeira baixou, é mais fácil jogar a culpa no advogado, no chefe, no "desespero de causa"...

Se alguém mandar você assinar algo que você sabe que se trata de uma série de mentiras, algo que vai livrar a sua cara mas vai jogar a moral de outra pessoa na lama, você assinaria? Eu acho que eu não assinaria. Por mais que me doesse... Assim como não mandaria espancar uma pessoa, assim como não daria o troco de uma violência com outra violência, assim como não tentaria extorquir ninguém... por mais que me doessem os ossos, por mais que me doesse a alma ofendida. Não sou boazinha a ponto de achar que deve-se dar a outra face... Não daria a outra face de jeito nenhum! Mas, também não daria o troco na mesma moeda.

Desesperos todos sentimos, em maior ou menor escala... e somente quem sentiu, ou sente, é que pode dizer o quanto é ruim não ver saída, o quanto é ruim sentir-se sozinho, perdido, realmente desesperado... Mas, pegar esse sentimento e usá-lo para justificar erros, falta de coragem e falta de caráter...isso me parece demais! E se essa justifitiva valer e se fizer desculpa aceitável, então podemos tudo! E quando formos questionados é só dizer: "Ah, eu estava desesperado...desculpa, aí, vai?!... foi meu advogado quem mandou mentir...foi meu coleguinha quem mandou colocar fogo no morador de rua... foi o oficial nazista quem mandou matar civis inocentes na segunda guerra..." 

Será que isso vale? Ou o desespero nada mais é do que a muleta dos covardes?

 



Escrito por ANA CARDILHO às 10h58
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