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A MULHER QUE ESCREVE


JORNALISMO ESCRAVO

Três da tarde. Escureceu de tal modo que parece que a noite caiu aqui pelos lados do Paraíso. Minhas amigas mais fiéis, e lindinhas, encheram os olhos de penumbra e adormeceram. Lua Maria, a princesa dos olhos verdes, e Zoe Cristina Primeira, a rainha invocada, sonham em paz.

Eu, que não gosto de dormir à tarde, aproveito para fazer uma pausa do trabalho e atualizar o blog. Tinha mil assuntos mas um deles tornou-se urgente. Estava pensando em como passamos anos e anos aturando o que, na verdade, ninguém merece aturar. Relações de violência no trabalho.

Gritos, maus-tratos, falta de educação, falta de respeito... Infelizmente, no jornalismo posso dizer que esse  comportamento ainda existe. As relações de trabalho mudaram. As grandes empresas não admitem o chefe que se comporta como um feitor de escravos, com chicote nas mãos. Há processos correndo contra esse tipo de líder que caiu em descrédito. Mas, em algumas redações, isso ainda acontece.

Empresas sérias, empresas sintonizadas com a modernidade não querem profissionais feitores em seus quadros. Há campanhas pela qualidade de vida dos funcionários e há canais de denúncia se algum chefe abusar... Mas no jornalismo, em plena São Paulo, ainda há exemplos de pessoas doentes de raiva, pessoas que têm seus neurônios encharcados de raiva, que transpiram raiva e descontam em seus subordinados toda sorte de frustração. Pessoas infelizes, solitárias, pessoas de dar dó... 

Será que demora para a modernidade das relações trabalhistas chegar ao jornalismo das terras das chuvas e enchentes? Será que demora para que uma nova geração de chefes se faça e instaure relações de respeito em redações? Ou ainda haverá anos e anos de hipocrisia na imprensa paulista que denuncia irregularidades alheias, violências alheias, pessoas nocivas além mar, mas protege seus capatazes, seus feitores, e age como se o mal não estivesse dentro de casa, sentado na sala de estar de cada empresário da comunicação que tolera e se faz de cego para as relações da idade média que existem em suas empresas?

Modernidade por fora, nas tintas, nos equipamentos, na capacidade e rapidez para transmitir a notícia... E relações arcaicas, mofo, bolor e teias de aranhas infelizes que se espalham pela decoração dos ambientes da redações de empresas de jornalismo. Ética da porta para fora. Valores, do elevador para o estacionamento. 

Eu, como sonhadora incorrigível, e otimista recente, quero crer que os gritos, ainda dados em algumas redações na cidade de São Paulo, sejam os gritos finais de uma geração que vai se aposentar em breve e haverá lugar para mentes novas, ventos novos. Ainda quero ouvir falar que as relações no jornalismo serão diferentes e que os chefes serão pessoas sensatas, que saberão se comunicar e que no lugar dos gritos e ofensas haverá verdadeiros líderes, capazes de fazer o subordinado amar o que faz e fazer bem feito. É esperar, ver e crer...

leia também: http://eraumavez-anacardilho.blogspot.com



Escrito por ANA CARDILHO às 15h53
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