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A MULHER QUE ESCREVE


CAMA PARA CINCO

Aconchego, momento perfeito. É noite de segunda-feira. Uma noite de começo de primavera. O calor não se instalou totalmente e para dormir ainda precisamos do edredom. Uma noite que poderia ser comum, perdida na rotina diária de trabalhar e se preocupar com alguma coisa ou coisa alguma. Mas essa noite foi especial. Sobre a cama, a família completa. Cinco seres, cinco corações, muitas mãos, pés e mais patas ainda. Cinco amores reunidos. Humanos, três. Caninos, dois. Cinco almas encantadas pela doçura do instante. Humanos lendo. Caninos cochilando. Lua Maria adora ficar debaixo do edredom e logo se embolou pelos pés do meu amor. Zoe Cristina foi, voltou, pulou da cama, subiu de novo. Cavou aqui e ali, farejou, rodou e se deixou ficar enroladinha em si mesma, escondendo a carinha matreira. Cinco seres vivos e seus sonhos, suas expectativas. A noite avança, os olhos se cansam e pesam, os livros caem e vamos adormecendo... lentamente... Eu resisto ao sono. Só pra ver mais um pouco o desenho, o cenário deste instante mágico, precioso. E nesta hora reconheço o que dizem que é o amor: um máximo de equilíbrio, de paz, de desapego, de confiança absoluta. Estamos ali. Todos entregues a si mesmos e ao outro. Entregues à confiança de que podemos zelar uns pelos outros, cuidar, fazer crescer, fazer amadurecer, fazer algo de bom na vida do outro. Fazer a diferença por amar, por querer bem, por querer somar. E Assim deixo o sono me vencer... guardando a cena pintada na minha memória afetiva. Retrato colorido de um momento de paz, de um momento perfeito. O amor é a foto... e nós, a moldura mais simples e mais bonita para a cena de um sonho visto a olhos bem abertos.

 



Escrito por ANA CARDILHO às 14h54
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PÉS NO CHÃO E ACIMA DELE

Hoje tenho os pés firmes, plantados no chão. Eles se movimentam quase com total normalidade. Tirando um inchaço normal, pós cirúrgia, tirando um pequeno incômodo até que eu me acostume e me esqueça completamente da placa e dos sete parafusos, posso afirmar que meu tornozelo esquerdo está curado.

Pela manhã fui, literalmente, "caminhando e cantando", entregar as muletas alugadas. O local é perto de minha casa mas há dois meses esse pequeno percurso seria impossível para mim. Há um mês eu o teria feito de muletas, devagar, com muita dificuldade. Minha recuperação rápida, sem dor, é uma bênção. A queda trouxe para minha vida bem mais que uma fratura na tíbia esquerda. Eu fui obrigada a paralisar tudo, a rever conceitos, a relembrar lições esquecidas, a repensar e buscar soluções para agir de forma diferente.

Eu cai porque tive uma cãimbra. A explicação simplista se encaixa no mundo racional mas para o mundo das ideias, dos sonhos, da alma, há bem mais explicações. Eu cai porque era urgente parar. Parar tudo mesmo, e pensar. Tive dois meses para pensar e não foi nada fácil. Acordava chorando, ia tomar banho chorando (tinha que tomar banho sentada e me sentia humilhada) e chorei em muitos finais de tarde quando chegava o lusco fusco e a angústia me tomava. Quando parei de chorar busquei ajuda. Ouvi o que já sabia: eu tinha perdido a hora certa de mudar, estava atrasada em quesitos como perdão, insegurança, ciúme, exagero, falta de compreensão com o outro e comigo mesma. E daí, mesmo sentada ou me arrastando com a ajuda de um andador, e posteriormente com muletas, tive que "correr" para conseguir acompanhar a vida que veio arrasadora, impiedosa, cobrando o tempo perdido.

Era vital perdoar, esquecer, me desligar do passado, mudar padrões de vibração. Era vital agir diferente a cada minuto e saber que o mantra ideal seria: "só por hoje, paz e serenidade". Era vital abrir mão dos excessos, me afastar dos exageros, buscar sanidade, leveza. Precisei cair, ir ao fundo do fundo, para saber que poderia levitar, se conseguisse as transformações necessárias. E estou no processo. Em andamento. Em recuperação. Eu vou conseguir. Simplesmente porque amo a vida, porque sei que, apesar de todos os defeitos que preciso corrigir, não sou das piores pessoas e tenho meia dúzia de virtudes conquistadas. Vou conseguir porque sou teimosa, não desisto, tenho criatividade, posso reiventar tudo, aprender tudo, acordar diferente todo dia.

Estou andando. Falta pouco para voltar a correr. Mas andar já é uma bênção, uma dádiva. Peço licença para colocar aqui uma frase que li num blog que recomendo a todos os amigos (http://porquenaodancei.blogspot.com/). A frase é: "Quem nunca caiu não tem bem a noção do esforço que é preciso para se manter de pé". Hoje eu sei algo sobre esse esforço. E desejo manter a lição bem viva em mim. O que passei não se compara, não é absolutamente nada, diante da luta diária, de Márcia e Marcela Mazocchi, mostrada no blog "porque não dancei". Deixo aqui o convite para a leitura. Dizer que é uma lição de vida é pouco, muito pouco. O muito, de emoção, de vida, você só vai conhecer acompanhando "porque não dancei".   

 



Escrito por ANA CARDILHO às 11h47
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PESO MAIS PESADO

Quinze dias após a cirurgia, quando ganhei uma placa de aço e mais sete parafusos acoplados ao meu tornozelo esquerdo, voltei ao ortopedista, dr Carlos Mendes. Entre todas as recomendações feitas, uma ficou ecoando na minha cabeça: "Não coloque peso sobre a perna esquerda". Disso para "não coloque peso onde não há capacidde para suportar peso ou não coloque peso onde não há necessidade disso ou, ainda, não coloque mais peso sobre seus próprios ombros ou sobre os ombros alheios e, finalmente, não coloque mais peso sobre a vida... foi um pulinho! E um pulinho com a perna direita.

Bastou eu estar na divina presença da curadora Otilha dos Santos, sob os efeitos do reike, para me dar conta de quanto peso andei carregando e distribuindo. Vai um pesinho aí? Não! Chega. Dos pesos agora só quero contato quando estiver liberada para voltar à academia do Círculo Militar e puder treinar força para, que todos os anjos digam AMÉM, voltar a correr o mais rápido possível (virou trocardilho...).

Acho que entendi a lição deste momento. Precisava cair, de madrugada, depois de cãimbras, e quebrar o tornozelo? Precisava. Pra entender justamente isto: melhor quebrar o tornozelo a quebrar a cara ou a alma com tantos pesos e mais pesos... Ai que dor nas costas! Para a fratura do tornozelo há conserto: placas e parafusos. Mas, para uma alma quebrada, xiiiiiii...

Então, estamos conversadas. Eu e a vida. Não carrego mais pesos que não são meus e nem inventarei pesos onde a vida quer plumas. Os pesos que me são devidos, por questões óbvias de manejo de andador ou de muletas, por enquanto vou pedir que carreguem por mim. E quando estiver com meus dois pés bem plantados no chão carregarei meus pesos no bolso, na bolsa ou em carrinho de mão. Mas é certo que muitos desses pesos estão sendo deixados pelo caminho. Se as pessoas se foram por que não os pesos de seus corpos, seus/meus erros?

E quem ficou que fique leve e me leve bem, na flauta... Porque sou um ser folgado que gosta da boa vida, que gosta de conforto para o corpo e para a alma. Sou um ser que acredita que todos viemos a esta vida para ser felizes, para darmos risada e para trabalharmos com alegria, com prazer, e vivermos bem, em paz.

É pedir muito? Que seja. Não dou desconto nem faço troco. Aceita balinha? Tem de hortelã, de mel e de canela. E pra encerrar: Rondó do Capitão, na voz de Secos & Molhados:

Bão balalão,
senhor capitão.
tirai este peso
do meu coração.
não é de tristeza,
não é de aflição:
é só esperança,
senhor capitão!
a leve esperança,
a área esperança...
área, pois não!
peso mais pesado
não existe não.
ah, livrai-me dele,
senhor capitão!


      

 



Escrito por ANA CARDILHO às 11h58
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PASSO A PASSO, PASSO!

Há uma semana ganhei uma placa de aço e sete parafusos no meu tornozelo esquerdo. Foi uma queda quase inexplicável... Era madrugada, eu dormia quando acordei sentindo muita dor: cãimbras intensas na batata da perna esquerda. Tentei massagear, puxar o músculo sentando-me na cama e não adiantou. A dor aumentou, eu me levantei, pensando que se estirasse o músculo a cãimbra acabaria, mas quando tentei ficar em pé, a perna esquerda não respondeu e eu cai de lado, de testa no chão. Acho que por frações de segundos perdi a consciência, pois não entendia o que estava fazendo no chão, ao lado de minha cama, com meu amor em pânico, e eu sangrando com um corte em cima da sobrancelha. Na verdade eu não dei a mínima para o sangue e o corte. A dor na perna era infernal e eu achava que tinha torcido o tornozelo. Há 3 anos, durante uma corrida, eu torci esse mesmo tornozelo e a dor era parecida. Voltei a dormir, apoiei o pé num travesseiro. Estava exausta depois de 4 dias da Feira Casar, onde eu e minhas sócias, Sonia Pedrosa e Adriana Ramos, estávamos mostrando os produtos de nossa empresa: www.eraumavezasuahistoria.com.br . Pela manhã, ao colocar o pé no chão veio a dor intensa. Depois, tudo muito rápido e lento ao mesmo tempo: o pronto socorro do hospital Oswaldo Cruz, a internação e a cirurgia. Agora, em casa, ando passo a passo, com a ajuda de um andador modelo esporte, cromado, último tipo, quatro ponto quatro. Mantenho na perna esquerda uma bota imobilizadora nas cores azul petróleo e detalhes em preto, adereços em velcro, modelo design, solado de borracha de floresta protegida. Tudo muito moderno e útil. Passo a passo descobri que todas as coisas são muito trabalhosas e que quando estamos bem, no dia a dia, não nos damos conta, e muito menos valor, para coisas como: tomar banho em pé, poder ir da sala para a cozinha carregando uma xícara de chá fumegante e mais sanduichinhos de bolacha com manteiga e queijo. Nada disso posso fazer. Tomo banho sentada e com medo de escorregar e cair... Cair é a última coisa que poderia me acontecer neste estágio da recuperação. Peço ajuda. Logo eu que estava bem acostumada a não pedir nada pra ninguém. Eu gostava de oferecer ajuda. Tentei ser solidária em todos os momentos em que pude. Mas sempre detestei pedir ajuda. Bom, lição número UM: tenho que pedir ajuda: aos meus pais, ao meu amor, aos meus amigos, a mim mesma... afinal, a partir daquele instante em que minha perna esquerda falhou e eu comecei a cair, e nesse movimento o tornozelo se torceu e se quebrou, começou aí, no instante da fratura, uma fratura bem maior e bem mais difícil de lidar. Dentro de mim algo se quebrou e não há cirurgia, nem gelo e nem pinos que possam consertar. Quebrou-se a ideia de que eu poderia ser uma pessoa invencível, que se eu me mantivesse dentro de um padrão de não prejudicar ninguém e viver minha vida em paz, eu poderia ser poupada de desastres. Mas, será que é possível viver sem prejudicar ninguém, sem magoar ninguém? Acho que não. A cada escolhas que fazemos interferimos em vidas alheias e essas vidas se misturam à nossa. Tudo vai interferindo, um fato vai puxando outro. A cada escolha. Tenho feito uma lista mental de pessoas que tenho certeza de que magoei, prejudiquei e que de alguma forma, mesmo que à distância, eu vou ter que, humildemente, pedir perdão. Numa lista paralela há as pessoas das quais guardei raiva, mágoa, decepção. A essas, mesmo que mentalmente, em forma de energia boa, eu vou ter que perdoar... Como é esse tal de perdão? Quando ele é verdadeiro e definitivo? O que sentimos quando chegamos "lá" no quesito perdão? Como vou saber se realmente perdoei e se realmente pedi perdão? Passo a passo. Bem devagar. Tenho ainda um mês e uma semana pela frente, sem sair de casa, me movimentando com o meu super andador, para passar todas as horas do dia, começando cedo, às 7hs da manhã, para pensar em perdão. Meu pé se quebrou justamente no lugarzinho onde, miticamente, existem asas... É, eu tenho ensaiado voar, tenho buscado pés alados, distanciamento de situações terrenas demais, tenho buscado sonhos e nuvens. Mas, parece que ainda não era hora. Algo me segurou, algo me puxou, me deu uma rasteira, e eu cai. Cá estou. O chão eu já conheço. Com ele sei lidar. E enquanto manco pela casa, enquanto pulo numa perna só, busco compaixão, perdão, transformação. Logo estarei fazendo fisioterapia e correndo novamente. Isso eu tenho certeza. Mas, é fato: algo se quebrou aqui dentro de mim e eu tenho que mudar... Passo a passo. 

 

 



Escrito por ANA CARDILHO às 18h02
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DESESPERADAMENTE COVARDE

Hoje estou pensando aqui com meus botões, cachorras e garrafinha de água sobre limites, sobre verdades, sobre os limites da verdade. Dizem que toda verdade tem dois ou mais lados. Dizem também que cada um tem suas verdades. Mas, há um senso comum de que há um mínimo de verdade que precisa ser encarada de frente para que as pessoas possam manter a civilidade. Por isso há leis e há jurisprudências, que modernizam as leis.

Então, me pergunto: qual é o limite de cada verdade? Uma pessoa pode alegar desespero para enxovalhar a moral de outra pessoa e depois querer se desculpar com o argumento de que estava "desesperado"? Mas não é justamente no momento de maior desespero que temos que ter o máximo de cuidado com nossas atitudes? Ou tudo vale quando nos sentimos acuados? Vale contar mentiras? Vale assinar falsos testemunhos? Vale destruir a verdade dos fatos para que a nova versão favoreça o culpado? Então, vamos soltar homicidas, ladrões e outros "desesperados"... Sim, porque na maioria das vezes o criminoso estava em desespero. Tirando os psicopatas, que agem friamente, as outras pessoas agem mal sempre à beira de um certo desespero. E por isso devem ser "desculpadas"?

Será que o desespero serve como desculpa? Alguém comete um roubo e vale alegar que estava financeiramente desesperado? Alguém comete um estupro e vale alegar que estava sexualmente desesperado? Alguém comete uma fraude e vale alegar que estava sendo pressionado pelo chefe? Alguém comete perjúrio e vale alegar que foi "obrigado" pelo advogado? E será que algum adulto, consciente de seus atos, pode mesmo alegar que foi "obrigado" a fazer alguma coisa? Ou o fez porque assim pensava e sentia e depois, quando a poeira baixou, é mais fácil jogar a culpa no advogado, no chefe, no "desespero de causa"...

Se alguém mandar você assinar algo que você sabe que se trata de uma série de mentiras, algo que vai livrar a sua cara mas vai jogar a moral de outra pessoa na lama, você assinaria? Eu acho que eu não assinaria. Por mais que me doesse... Assim como não mandaria espancar uma pessoa, assim como não daria o troco de uma violência com outra violência, assim como não tentaria extorquir ninguém... por mais que me doessem os ossos, por mais que me doesse a alma ofendida. Não sou boazinha a ponto de achar que deve-se dar a outra face... Não daria a outra face de jeito nenhum! Mas, também não daria o troco na mesma moeda.

Desesperos todos sentimos, em maior ou menor escala... e somente quem sentiu, ou sente, é que pode dizer o quanto é ruim não ver saída, o quanto é ruim sentir-se sozinho, perdido, realmente desesperado... Mas, pegar esse sentimento e usá-lo para justificar erros, falta de coragem e falta de caráter...isso me parece demais! E se essa justifitiva valer e se fizer desculpa aceitável, então podemos tudo! E quando formos questionados é só dizer: "Ah, eu estava desesperado...desculpa, aí, vai?!... foi meu advogado quem mandou mentir...foi meu coleguinha quem mandou colocar fogo no morador de rua... foi o oficial nazista quem mandou matar civis inocentes na segunda guerra..." 

Será que isso vale? Ou o desespero nada mais é do que a muleta dos covardes?

 



Escrito por ANA CARDILHO às 10h58
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"... A ESTRANHA MANIA DE TER FÉ NA VIDA..."

Hoje eu só quero agradecer...  Por eu ter a vida que tenho, pelos sonhos que carrego, ainda, espalhados por mochilas, malas de rodinha, e os que levo para passear num carrinho de mão. Porque esses sonhos, apesar de alguns já estarem amarrotados, manchados, e muitos terem caído até em descrédito e em desuso, esses sonhos ainda me dão a impressão (ou a ilusão) de que tenho tempo, de que terei tempo para realizá-los antes de partir.

Quero agradecer pelos cabelos brancos que preciso pintar de loiros a cada mês e meio. Porque esses cabelos loiros, que a vida toda neguei, hoje eles me aproximam da minha essência, me aproximam da minha mãe e de sua ascendência loirinha vinda lá das terras de Napoli.

 

Quero agradecer porque tomei o rumo da minha vida, pessoal e profissional, nas mãos e hoje sei o que quero e só faço o que quero. Eu que nunca peguei o touro pelo chifre (odeio touradas, aliás), eu que sempre fiz concessões e dei risadas amarelas e tentei agradar a gregos e romanos (apesar de sentir muitas vezes muita mágoa pelo que gregos e romanos eram capazes de fazer), eu que vivi mais de 20 anos sendo "morna", mesmo sabendo que "Deus vomitará os mornos", como sempre relembra a escritora Lygia Fagundes Telles quando tira das memórias a citação bíblica... Pois eu hoje agradeço porque tenho o volante da minha vida bem preso às minhas mãos. E só coloco a primeira marcha para o que realmente vale a pena.

Hoje eu só vou agradecer: pela minha família ser a família compreensiva, acolhedora e amorosa que é... por eu, com meu amor e seu lindo filho, e nossas duas cachorras adoráveis, termos conseguido ultrapassar todas as descrenças e mágoas, e formarmos uma família de amor e cumplicidade.

E vou agradecer pela preciosidade deste momento profissional em que me vejo cercada de bênçãos. Um anjo de um lado: Sonia Pedrosa. Um anjo do outro lado: Adriana Ramos.  E toda a nossa vontade, garra, disposição, tempo, energia e talento para escrevermos, para "fazermos história"... Estamos. Estamos "fazendo história" com um passo ousado e cheio de fé!!

Hoje eu só vou agradecer... Quase seis horas! Quase hora da "Ave Maria"... hora do lusco-fusco (é, sou repetitiva, gosto ainda do lusco-fusco... e gosto ainda de quaresmeiras...). E neste quase escurecer do dia, nesta hora sagrada agradeço por tudo: Tudo que eu fui, todos que se foram; tudo que eu sou, todos que ficaram.

Mudar eu mudei... mudei muito!! Mas ainda sei rezar, ainda gosto de rezar, ainda tenho fé! 



Escrito por ANA CARDILHO às 18h03
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JORNALISMO ESCRAVO

Três da tarde. Escureceu de tal modo que parece que a noite caiu aqui pelos lados do Paraíso. Minhas amigas mais fiéis, e lindinhas, encheram os olhos de penumbra e adormeceram. Lua Maria, a princesa dos olhos verdes, e Zoe Cristina Primeira, a rainha invocada, sonham em paz.

Eu, que não gosto de dormir à tarde, aproveito para fazer uma pausa do trabalho e atualizar o blog. Tinha mil assuntos mas um deles tornou-se urgente. Estava pensando em como passamos anos e anos aturando o que, na verdade, ninguém merece aturar. Relações de violência no trabalho.

Gritos, maus-tratos, falta de educação, falta de respeito... Infelizmente, no jornalismo posso dizer que esse  comportamento ainda existe. As relações de trabalho mudaram. As grandes empresas não admitem o chefe que se comporta como um feitor de escravos, com chicote nas mãos. Há processos correndo contra esse tipo de líder que caiu em descrédito. Mas, em algumas redações, isso ainda acontece.

Empresas sérias, empresas sintonizadas com a modernidade não querem profissionais feitores em seus quadros. Há campanhas pela qualidade de vida dos funcionários e há canais de denúncia se algum chefe abusar... Mas no jornalismo, em plena São Paulo, ainda há exemplos de pessoas doentes de raiva, pessoas que têm seus neurônios encharcados de raiva, que transpiram raiva e descontam em seus subordinados toda sorte de frustração. Pessoas infelizes, solitárias, pessoas de dar dó... 

Será que demora para a modernidade das relações trabalhistas chegar ao jornalismo das terras das chuvas e enchentes? Será que demora para que uma nova geração de chefes se faça e instaure relações de respeito em redações? Ou ainda haverá anos e anos de hipocrisia na imprensa paulista que denuncia irregularidades alheias, violências alheias, pessoas nocivas além mar, mas protege seus capatazes, seus feitores, e age como se o mal não estivesse dentro de casa, sentado na sala de estar de cada empresário da comunicação que tolera e se faz de cego para as relações da idade média que existem em suas empresas?

Modernidade por fora, nas tintas, nos equipamentos, na capacidade e rapidez para transmitir a notícia... E relações arcaicas, mofo, bolor e teias de aranhas infelizes que se espalham pela decoração dos ambientes da redações de empresas de jornalismo. Ética da porta para fora. Valores, do elevador para o estacionamento. 

Eu, como sonhadora incorrigível, e otimista recente, quero crer que os gritos, ainda dados em algumas redações na cidade de São Paulo, sejam os gritos finais de uma geração que vai se aposentar em breve e haverá lugar para mentes novas, ventos novos. Ainda quero ouvir falar que as relações no jornalismo serão diferentes e que os chefes serão pessoas sensatas, que saberão se comunicar e que no lugar dos gritos e ofensas haverá verdadeiros líderes, capazes de fazer o subordinado amar o que faz e fazer bem feito. É esperar, ver e crer...

leia também: http://eraumavez-anacardilho.blogspot.com



Escrito por ANA CARDILHO às 15h53
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SOBRE RAINHAS E PRINCESAS

Ela chegou em meados de dezembro passado. Olhar assustado, não encarava ninguém, não olhava dentro dos nossos olhos e desviava o próprio olhar; magrinha, menos de um quilo e meio; mas chegou botando banca e latindo alto, apesar da falta de tamanho. Zoe Cristina Primeira, da casa dos PintoGuedes/CardilhoFrança, parece um pequeno cachorro, da raça pintcher, mas na verdade esse é só um disfarce para uma rainha que foi perseguida e fugiu para o Brasil, mais precisamente caiu aqui em São Paulo, e mais precisamente ainda, habita esta casa de onde eu escrevo o diário da corte.

Quando Zoe Cristina Primeira chegou não esperava encontrar Lua Maria, a princesa dos olhos de mar, e sua primeira reação foi mostrar os dentes. Lua Maria, do alto de seus 14 quilos, soltou uma gargalhada e também mostrou os dentes, só que sem convencer muito bem... Zoe Cristina Primeira logo percebeu que a ferocidade de sua nova amiga não daria em quase nada. E deu em pouco. Umas rosnadas aqui e ali, um furinho sobre o nariz da rainha, que sangou bastante e assustou a todos os súditos, fazendo com que o reino inteirinho baixasse num pronto socorro veterinário altas horas da noite e depois dessa "mordida", os ânimos se acalmaram. Parece que elas fizeram um trato: como Lua Maria, a princesa menos solitária agora, havia tirado sangue da rainha Zoe, dá a impressão de que elas se entenderam em alguns termos e da data do duelo até agora, elas apenas rosnam e mostram os dentes... quase sempre em ritmo de brincadeira, de lutinha, que mais parece aula de aeróbica canina, e às vezes num tom mais perigoso mas que logo passa.

Zoe Cristina Primeira é uma rainha agitada. Ela concentra seu incrível peso de um quilo e meio sobre o dorso forte da princesa Lua Maria e morde-lhe as orelhas, o canto dos olhos verdes, chega a ficar com a cabeça inteira dentro da boca de Lua Maria, a generosa, que não lhe arranca a cabeça sabe-se Deus por amor e dedicação. Em seguida, Zoe escorrega pelo pescoço da princesa e fica com os dentes, alguns ainda de leite, cravados na papada de Lua Maria que quando se amola da brincadeira sacode o corpo da rainha em pleno ar e ele vai parar sobre a almofada ou o travesseiro mais próximo.

A rainha é dona de um apetite voraz. Ração ela come até que em pequena quantidade, de grãozinho em grãozinho, que ela rouba e leva para degustar sobre o sofá ou sobre a cama (imagine que uma rainha vai comer em pé, perto do comedouro? nem pensar.... rainhas só comem sentadas ou deitadas...). O que Zoe Cristina gosta mesmo de comer é o que não foi feito para isso: sofá, fios de qualquer natureza, rodinhas de borracha do barzinho da sala, plantas... ah, que delícia as plantas!, meias, calcinhas, roupas em geral, brinquedos de pelúcia ou de borracha, caminhas de cachorro, de qualquer tamanho e sabor, cortina de plástico de box, lombadas de livros, puxadores dos armários de cozinha, quinas de armários de madeira, sandálias de borracha, dedos das mãos ou dos pés de qualquer pessoa, bocados de edredom, pedaços de lençóis e tecos de travesseiros, além de grandes porções de madeira, debaixo da cama. Suspeita-se no reino que Zoe Cristina Primeira tenha alguma ascendência de roedores além do DNA canino.

A rainha só dorme aninhada entre um travesseirinho azul, tem que ser azul, outra cor ela não aceita, e o corpo da súdita AnaCris que não deve se mover durante a noite para não atrapalhar os sonhos reais. Na ausência da súdita, que deve trabalhar para pagar todos os mimos e cuidados necessários com a realeza da casa, Zoe Cristina então aceita jogar seu corpinho sobre uma das almofadas que ela já roeu um pedaço. Dorme sobre o jantar. Nesses momentos raros, Lua Maria, a princesa cansada de brincar e de ser mordiscada, suspira e aproveita para dormir em paz... como nos velhos tempos em que era a única sangue azul do reino das Anas e do Rafa.

Lua Maria, a princesa dos olhos de mar, neste momento dorme sobre o encosto do sofá, em frente à janela da sala, por onde entra um ventinho fresco e cheio de luz. A rainha Zoe Cristina Primeira dorme sobre a almofada amarela que ela vai terminar de comer mais tarde, como um lanchinho do lusco-fusco, e há um incrível silêncio na casa. Silêncio propício para que as histórias sejam contadas, para que o diário da corte seja atualizado. Porque assim sempre foi, desde que o mundo é mundo, enquanto a realeza dorme, nós, plebeus, temos que trabalhar...



Escrito por ANA CARDILHO às 12h11
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BERLIM

O tempo está se esgotando. Escrevo no bar do hotel Ku`Damm. Nossa última noite em Berlim. Passa rápido. Num instante e a viagem se acaba. É claro que a esta altura já temos saudade de tudo, do Rafael, das meninas (Lua Maria e Zoe Cristina), do universo que nos dá um norte e a sensação de que temos casa. No final da tarde de hoje, enquanto escurecia às quatro da tarde em Berlim, entramos numa igreja que preciso ainda descobrir o nome... uma igreja de tijolinhos infinitos. Lá dentro um grupo ensaiava canções em alemão. Canções que imagino sejam para as missas de domingo. As vozes misturadas, às vezes a capela, às vezes com um discreto acompanhamento de um órgão, foram emoldurando aquele cair da noite. Eu e AnaCris ficamos ali, sentadinhas num banco de madeira que deve contar com mais de 200 anos. Fiz meus três pedidos, como manda a tradição. Três pedidos que podem fazer toda a diferença para que 2011 seja um ano inesquecível e que seja o primeiro ano de muitos outros tão bons. Depois voltamos para a neve, para o metrô com seus nomes estranhos, linhas coloridas, e agora estamos os quatro abrigados sob a ótimas calefação do hotel. Aqui dentro dá até calor! Os meninos chegaram agorinha de um passeio feito nos arredores de Berlim. Mais tarde vamos jantar num restaurante típico e dar uma voltinha pelo bairro gls daqui. O que fica de Berlim? Puxa... tanto! Mas, especialmente a sensação de que o ano que já começou será um ano sem igual, de conquistas e acertos. E agora fotos...



Escrito por ANA CARDILHO às 17h11
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PRAGA

Escrevo de Praga. Última noite por aqui. Amanhã bem cedo vamos tomar um trem com destino a Berlim. No momento, uma e dez da manhã, os termômetros marcam menos 10 graus. Muito frio. Demais. Frio até congelar a aura da gente. Até virmos para cá, eu, AnaCris, Roberto e Fábio, confesso que não imaginava como fosse sentir muito frio, coisas de menos dez graus. Achava tão bonita a ideia da neve, tão romântica! Mas o frio de verdade, este frio seco, com neve farinhenta no chão não tem nada de romântico, não. É algo que vai tomando o corpo da gente, tomando os pés, as mãos, a boca e daí perdemosa capacidade de articular as palavras e ficamos com uma boca estranha, como amortecida...e de repente os pés, apesar das duas ou três meias e apesar da bota forrada para neve, começam a endurecer e doem. Cada passo, uma dor. E de repente as mãos, apesar de duas luvas, amortecem e parecem que vão quebrar. E não há nada que esquente...não adianta andar, tentar correr, bater os pés, as mãos, não adianta falar e nem tentar assoviar...impossível. Só nos resta entrar em algum café que tenha calefação e ficar ali, tomando um capuccino ou um café irlandês, ou uma taça de vinho tinto...até esquentar, até a circulação voltar para pés e mãos e boca. Mas, tirando os menos muitos graus negativos, quero dizer que esta vigaem está sendo DEMAIS!  Minha primeira viagem para fora do país com a AnaCris e com a graça da companhia dos meninos, Roberto e Fábio. O Hotel, uma delícia! Hotel designer, quarto espaçoso, quentinho, com cama incrivelmente gostosa e tudo de muito bom gosto, tudo reformado e no ponto exato de ser ótimo. Nossos dias pelas ruas de Praga foram bem divertidos. Roberto adorou um livrinho que minha amiga Sonia Pedrosa nos emprestou e a cada igreja, palácio ou castelo, ele parava solene na esquina e lia: "igreja ou palácio ou castelo construído em mil e duzentos pelo rei Carlos... que foi destruído e reconstruído em mil e setecentos.... ah, essa é nova!" E nós quatro, nessa esquina, ouvindo o guia Roberto e congelando enquanto decorávamos os capítulos do livrinho da Sonia. "Ah, por ali o rei Carlos passava acenando aos súditos...por aqui o rei Carlos seguia em linha reta para ser adorado pelos súditos...estamos na ponte que foi construída pelo rei Carlos..." E assim, se houve um ou muitos reis Carlos eu não sei dizer mas que foi engraçado imaginar o Carlito andando e acenando aqui e ali, entre rajadas de ventos congelantes, ah isso foi! Neste momento meu amor, AnaCris, dorme...deixou o livro aberto e o abajur ligado...No quarto ao lado Roberto e Fábio dormem em paz, sonhando com o Rei Carlos e sua peruca falsa passando, acenando, dizendo: "Olá,como vai? Olá, olá meu súdito..." E lá fora deve fazer menos de dez graus negativos, a neve se empossa sobre os carros, cai de mansinho...e eu tenho mais a contar só que daqui a pouco o despertador vai tocar e lá vamos nós para nosso último café da manhã em Praga... Então vou dormir mas antes deixo aqui algumas fotos... viagem dos sonhos...

 



Escrito por ANA CARDILHO às 22h50
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ACHADO DE OURO NA INTERNET

Terça-feira, a chuva que desde ontem cai pelas terras paulistanas ensopa a roupa vermelha de cento e oitenta e três papais noéis espalhados pela cidade, inunda sapatinhos virados de duendes e derruba asas mal pregadas de anjinhos que têm a boca paralisada pela mesmice das cantigas natalinas. E dá-lhe noite feliz!

Entediada até a alma, a medula, o último fio de cabelo pintado (by Elma Martins), fui fazer a mão pra ver se poderia me sentir um pouco menos pior, com a alma menos encharcada pelas águas paradas de sempre. No pequenino salão escolhido, ao lado da produtora onde tenho dado plantão, não havia nenhuma revista de fofoca, dessas em que a gente fica vendo mil caras e bocas e ao acabar de passar as páginas tem certeza de que não viu nada afinal. Hora de almoço com chuva, salão vazio, sem revistas. A manicure quietinha matutava sobre a vida. Dela. O que não cheguei a achar ruim porque também me sentia sem assunto. Até que pensando um pouco me lembrei! A salvação estava ali, à mão: o telefone que agora me conecta à internet. Claro! Vou ler qualquer coisa. E fiquei ali, virando páginas virtuais com os dedos cheios de algodão, pingando acetona sobre a tela azulada do meu super, moderno e ultrapotente celular... Ficaria uma hora assim: navegando por águas rasas e tolas se não tivesse batido de cara, de frente, nariz com nariz com um ACHADO. Pois anotem aí: http://vigilantesdaautoestima.zip.net/ 

E coloquem nos favoritos, cadastrem em casa, no trabalho, na escola, escrevam o endereço na mão esquerda para não esquecer, passem a informação para amigos e, coitados, os inimigos também, afinal eles também são gente, não são?

O achado é o blog dos "Vigilantes da autoestima" conduzido pela escritora, publicitária, e como ela mesma diz que agora está, jornalista Gisela Rao. É ótimo! Pulei de um texto ao outro, escalei meses passados, busquei aleatória entre datas diversas e tudo me achava naquelas descrições de pessoas que têm problemas com autoestima... ou seriam problemas com baixa autoestima? Pois tenho. Os dois, na alta e na baixa. Já achei tanta tolice de mim mesma que é até cansativo descrever mas farei um esforço: que não poderia ou não deveria usar vestidos e saias porque não tinha pernas legais (mentira da brava do meu ego amante da baixa autoestima), que não sabia dançar e nunca aprenderia, que não podia nadar, que não poderia nunca, nunquinha, correr, que não tenho voz boa para cantar, que nunca iria aprender a dirigir bem um carro, que sempre teria as mesmas limitações, que escrevia bem sim mas, sabe? só pro gasto... que não poderia nunca vencer alguns medos, que carregaria para sempre as mesmas culpas, as mesmas amarras, os mesmos traumas bobocas. Que não poderia ganhar mais, que não merecia amar melhor e ser mais amada, que não deveria abusar dos decotes, alças e do vermelho. Que deveria ser sempre uma boa menina, simples, humilde, agradecida por todas as incríveis conquistas e não exigir mais nada da santa vida. E assim vai e assim vamos... 

E vejo tantos amigos na mesma cantilena: não se acham bons o suficiente, nem merecedores a altura de. Não se dão direitos legais, não deixam empregos medíocres, embora reconheçam a mediocridade do trabalho e da grana, porque têm certeza de que nunca vão ganhar mais e nem mereceriam isso, claro! Outros ficam infelizes sozinhos ( nada contra os que ficam super bem e felizes sozinhos) porque não se acham merecedores de amor, de atenção, de cantadas e declarações. E mais outros se deixam ficar em relações tóxicas porque é isso mesmo que merecem da vida: sofrer as dores do avesso do amor. Enfim: a mim, a você, a todos nós que precisamos consertar o telhado da nossa baixa autoestima, pintar as paredes da nossa alta autoestima e começar a estimar-se pra valer, a um ponto em que tenhamos mais altas que baixas nessa bolsa de valores que sabe-se Deus como funciona, repito a dica: http://vigilantesdaautoestima.zip.net/.

E se você achou este texto uma tolice, se você é do tipo que tem o mundo e as pessoas aos seus pés, se você sabe lidar muito bem, obrigado, com sua autoestima, dê uma olhadinha no blog dos Vigilantes do mesmo jeito... Quem sabe você posta lá umas dicas imperdíveis, de como conquistar pessoas, como ser um profissional feliz, como ter somas consideráveis de dinheiro extra em aplicações variadas, como manter seu peso em dia, como envelhecer com beleza e gostosura, como escrever textos maravilhosos, como ter seu namorado/da rastejando e  mandando flores e torpedos de amor o todo tempo, como chegar ao fim de sua vida tendo realizado 98% de seus sonhos e desejos.

Eu quero aprender. Tudinho, tudinho... Especialmente a dizer NÃO. Mas não é um não baixinho assim, tímido, um não que se desculpa, que por si mesmo pede perdão e já se açoita... Quero aprender um não urrado, um não de leão com fome, leão bravo, com pata inflamada. E só quero dizer SIM quando for verdade, quando me fizer bem, quando houver contrapartida, quando calhar de ser bom, quando tiver que ser com vontade, quando meu SIM puder me libertar desse monte de NÃOS que aprendi a dizer para mim mesma, sempre justificando um merecimento pequeno, raso, sem troco. É sério quando escrevi outro dia aqui neste blog, baixem o cursor até lá, vai passando, vai passando, achou... que "POUCO É UM POUCO DEMAIS"...

(leia também: http://eraumavez-anacardilho.blogspot.com )



Escrito por ANA CARDILHO às 15h44
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UM DIA DAQUELES

Hoje é um dia daqueles, sabe? Dia que amanhece meio nublado mesmo tendo sol, dia que se arrasta e parece sem fim. Vai passar? Ah, vai sim. Mas enquanto não passa, passo eu o dia chorando por tudo e nada. Abraço um sheltie na rua e choro porque o abraço me leva ao meu sheltie que morreu, o Léozinho. Entro no carro, ouço um cd que meu amigo Gustavo Gonçalves gravou, com músicas maravilhosas dos Beatles, e caio de novo no chororô porque revejo a vitrola de plástico azul claro que havia lá em casa quando eu tinha uns 8 anos. Meu pai emprestou de um amigo uns discos dos Beatles...

o álbum branco, o azul, o vermelho, Let It Be. Preciosidades. Eu ouvia aquelas músicas mas só podia entender, decifrar, sentir a melodia. Não sabia inglês, não tinha por perto um dicionário, as palavras fugiam.

Os Beatles eram pessoas estranhas, com uma língua estranha, e eles faziam algo estranho como ganhar dinheiro cantando. Cigarras... e eu só conhecia o mundo das formigas, dos trabalhos duros que pareciam mais reais e mais lícitos que cantar, que criar.

O que devemos fazer num dia daqueles? Voltar pra casa, se enfiar na cama com as janelas fechadas? Não dá pra mim. Só a ideia e já me sinto sufocada o que pioraria, em muito, o tal do dia daqueles. Insisto em manter a normalidade. Quem sabe só a rotina salva? Mas estou arisca, desconfiada e cansada de joguinhos podres de poder, de entreguismo barato. Posso sair andando? Opa! Posso até sair voando. Sou dona do meu nariz e das minhas asas e muito pouco pode me prender a situações desconfortáveis. É que num dia daqueles a pouca sabedoria que ainda resta avisa que é melhor não tomar nenhuma decisão séria de cabeça quente, de olhos inchados, e de alma pegando fogo. "Espera passar". Espero. Por aqui passa de tudo, "passa boi, passa boiada". E vão passando: pessoas, histórias, finais já anunciados. Só não acaba o maldito dia daqueles. As horas dão ré. Quando penso que às cinco da tarde vai acabar, lá vamos nós! Começa tudo de novo. Hoje é um dia perigoso. O risco está na esquina, no farol, ao lado, atrás, chegando por telefone, telepatia, no sinal de fumaça. E eu não tenho uma borboleta no estômago, não. Tenho uma "coleção entomológica da ordem lepdoptera". Mas tudo bem, não ando armada. Fui adestrada para ser inofensiva. E agradecer. Então, senhor universo, eu agradeço. Até por este dia que é um dia daqueles e pensando bem que bom que é um dia daqueles... daqueles outros... outros seres, outras sintonias. Porque dia dos meus é bem diferente... 

(leia também: http://eraumavez-anacardilho.blogspot.com )



Escrito por ANA CARDILHO às 17h08
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"Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais"  (Paulinho Moska)

Ouvi no rádio a música acima. Fiquei com alguns versos na cabeça. A frase "e pouco eu não quero mais"  martelou na minha cabeça. Precisava achar a canção e com uma oração virtual ao santo Google achei a música. Peço licença ao autor, Paulinho Moska, para deixar aqui no blog o refrão. Em vermelho. Letras grandes, gritantes. Adorei o "e pouco é um pouco demais"...

Estou num tempo da vida em que não vou mais aceitar pouco. Isso porque hoje eu SEI do que sou capaz. Sou MUITO capaz. E o pouco não me basta, não me serve, é uma roupa de bebê para um corpo de mulher de 45 anos. Corpo (e alma) bem tratado, diga-se de passagem. Pouco eu não quero mais de jeito nenhum. Em aspecto algum da vida. Já aceitei pouquinho? Sim. Pequenas misérias, trocos miúdos de algumas pessoas, de alguns trabalhos, e especialmente já aceitei pouco de mim mesma. Quando me obriguei a fazer coisas sem paixão, sem tesão, sem ânima, estava aceitando esmolas ou estava me dando esmolas. Mas, hoje, dia 3 de dezembro (aniversário de um querido, muito querido, amigo de infância, Toni Brandão (parabéns, Toni!!), deixo aqui, por escrito, como um documento juramentado ou um contrato assinado e de firma reconhecida: POUCO EU NÃO QUERO MAIS.

Começo hoje mesmo. Tesoura na mão direita, machadinho na esquerda. Vou cortar o pouco. Tirar suas raízes. Mandar queimar. Afinal, o pouco é tão pouco mesmo que nem vai me dar tanto trabalho assim. Talvez uns petelecos e pronto. Terreno limpo. Porque hoje, neste final de ano de 2010, tenho os olhos cheios de "muito". São muitos os planos e todos serão colocados em prática. Sem tempo pra esperar. Já foi esperado muito. E a esta altura só um pouco terá lugar na minha vida: pouca paciência com quem machuca os outros, com quem não sabe e nem quer aprender a viver bem, em paz, com situações negativas, que se alimentam da tristeza dos outros. Chega!! E pra terminar, mais uma canção. Esta mais antiga, do tempo da minha adolescência. Com um pedido de licença aos autores (Kleiton e Kledir) aqui vai: "Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau!"   

 

(leia também: http://eraumavez-anacardilho.blogspot.com )



Escrito por ANA CARDILHO às 11h21
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PAIXÃO MATINAL

Dia lindo. Sou a pessoa mais feliz do mundo. Tenho, ao meu lado, meu amor de todo dia e... sempre. Têm manhãs assim: acordo apaixonada, meio babando demais. E vejo tudo luminoso, como se nada pudesse tirar o brilho do dia, a alegria que chega com o café na mão e promete passar o dia. Coisas do coração...

 



Escrito por ANA CARDILHO às 08h44
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CAFÉ AMARGO E AFLIÇÃO COM MANTEIGA

O dia mal começou e há borrões por toda parte. Amanheceu e o tinteiro virou. Estava cheio, controlado. Mas, virou e agora me debato com palavras que se formaram com vida própria. Leio Haruki Murakami que fala sobre a toxidade que existe no ato de escrever. Ele é romancista e corredor e corre para livrar-se das toxinas que se acumulam em seu corpo, sua mente e sua alma enquanto e após escrever seus romances. Fiquei pensando. Talvez seja um pouco disso que sempre me trava quando começo a escrever pra valer. Primeiro vem uma sensação de euforia, um "eu posso tudo", que se parece bem com a sensação pós corrida de mais de uma hora. Deixo a esteira achando que posso tudo, sei tudo e que sou imortal. Quando termino um texto, um conto, um capítulo sinto o mesmo: euforia. Mas, em seguida tudo muda. Do mesmo modo que após um banho quente reconheço que preciso descansar, que estou exausta, depois da euforia de assinar um texto reconheço a trava chegando, a caimbra mental que se dá dentro de mim. Não tomei drogas na vida mas dizem que o processo é esse: euforia e depressão. Então correr e escrever, para mim, são como drogas. Euforia e depressão. E daí preciso correr mais e escrever mais para tentar resgatar algum bem estar. Mas, o dia parece estragado mesmo, perdido, ensimesmado. Parou de chover, tem sol lá fora e eu preferia que nem tivesse amanhecido. Talvez tenham sido os miasmas do sonho que tive... casas demolidas, de novo. No sonho revia o apartamento antigo. Ele estava muito sujo e quebrado e era devolvido para mim por falta de pagamento do comprador. Eu não o queria de volta mas ao mesmo tempo reconhecia algo de familiar em rever aquelas portas e cômodos. Checava os danos e sabia que se ficasse com o imóvel teria que começar uma grande reforma. Varria, tirava o lixo acumulado. E no fundo não queria ficar ali, não queria ser a dona dele novamente. Sonhos... detesto acordar desse tipo de sonho porque desperto confusa e demoro para entrar no eixo e me sentir "normal". Tudo tão casantivo! Inadequações. Sou a campeã nas inadequações. Ou me enquadro ou zapt... lá vêm a discórdia, o coração partido. Vou silenciar, afinal. Parece que é esse o papel que a vida me exige por enquanto, como se a toda hora ela mandasse eu ficar quieta, sem reclamações, sem mostrar nenhuma emoção, sem existir ok? Que existir é muito dolorido...



Escrito por ANA CARDILHO às 10h17
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